- Eu sabia que este dia chegaria! – Dizia Samanta, enquanto abria a porta para Barbie. – Então, veio pedir que eu te salve, não foi? – Ela sorria.
- Você sabe o que está acontecendo? – Barbie estava nervosa, trêmula.
- Sei… – Samanta ficou séria. – Mas vamos sobreviver, não se preocupe.
- Como você sabe? – Os olhos azuis de Barbie marejavam, olhando os de Samanta. – Como você sabe que não vamos todos morrer?
- Bem, eu não sei quanto aos outros, mas você e eu vamos sobreviver, Bárbara. Não se preocupe.
Ao subir as escadas, Barbie notou que os pais de Samanta estavam exatamente como os dela. Adormecidos, envoltos por uma espécie de teia de aranha que a cada minuto ficava mais espessa. O corredor cheirava a água sanitária, aliás, a casa inteira estava cheirando a água sanitária. Estava tão forte que Barbie teve que tapar o nariz e a boca com a mão. Ao notar isso, Samanta entregou a ela sua blusa, dizendo:
- Me desculpe o cheiro, eu acho que isso é uma espécie de bactéria, então eu limpei a casa toda com alvejante. Meu quarto está melhor do que aqui, prometo.
Barbie acompanhou Samanta, observando suas costas, que só não estavam nuas devido ao sutiã preto dela. Seus olhos desceram até os quadris, involuntariamente e viram que ela estava com uma arma no cós da bermuda de brim. Barbie pensou em fugir, mas já era tarde, já haviam chegado ao quarto. Samanta olhou longamente a porta adjacente a do seu quarto e só depois voltou-se para Barbie, que tremia mais ainda.
- O que você tem, Bárbara? Eu sei que está nervosa, mas precisa se acalmar… – Ela abriu a porta do quarto e conduziu Barbie a entrar antes de fechar a porta. – Se ficar uma pilha de nervos, deste jeito, vai acabar comprometendo nossa segurança.
- Por que você tem uma arma? – Barbie disse, sem conseguir conter as palavras.
- Oh! Essa coisa? – Samanta pegou a arma do cós, rapidamente. – Proteção. Para os meus pais eu estava colecionando, mas eu estava me preparando para este dia.
- Colecionando? Quantas armas você tem?
- Mais do que meus pais acham, menos do que eu gostaria.
Ela forçou um pedal na cama e esta se abriu como se fosse uma enorme maleta, na parte de cima haviam muitas armas que Barbie não conhecia o nome e nem sabia que alguém podia ter, na parte de baixo muita munição. Muita munição mesmo.
- Essas são as minhas… – Ela disse. – Eu posso te dar algumas, mas temos que ver como vamos fazer isso. – Precisamos de um carro limpo e temos que tomar cuidado com a comida. Precisamos ter o suficiente para semanas, não sei quando o governo vai resolver este problema. – Ela subiu na escrivaninha e soltou o gesso do forro. – Eu mandei fazer algo para você. Espero que você goste. – Ela tirou dois pacotes enormes de lá de cima.
- O que é isso? – Barbie, estava com medo de saber.
- Um presente bastante útil nesta ocasião. – Ela disse pulando no chão.
Barbie abriu e sentiu ao mesmo tempo desespero, que a fez tremer, e satisfação, que a fez sorrir. Num pacote haviam uma Katana e uma Wakizashi, não do tipo de pendurar na parede, mas do tipo que os samurais deviam usar, no outro uma Tachi. Samanta sorriu ao observar a reação de Barbie.
- Eu sabia que você ia gostar. – Disse, mas Barbie ficou séria e a encarou.
- Como você sabe?
- Do mesmo jeito que eu sei que isto é uma doença se alastrando a três meses e o governo não faz idéia de como parar, do mesmo jeito que eu tiro dez em física, do mesmo jeito que aprendi tudo sobre zumbis, do mesmo jeito que eu zerei todas as notas do pessoal de futebol, eu estudei! Eu te observei e até te alertei das coisas que eu sabia sobre você. Eu uso binóculos… e eu pus câmeras na sua casa.
- Você é louca?
Barbie disse, mas então se lembrou dos bilhetes e de como, depois de uns elásticos cor de laranja serem presos nas mochilas dos meninos de futebol, ela parou de esquecer o que tinha acontecido nas festas. Elásticos cor de laranja, como os que ela estava nos punhos uma vez, ao acordar de ressaca. Então ela entendeu… Ela entendeu que Samanta podia ser louca, mas a estava protegendo.
- Eu devo ser louca, Barbara. Mas eu estou certa… – Samanta falou, olhando no rosto, agora lânguido de Barbie. – Vamos tomar café, você está com fome e precisamos arrumar tudo para podermos ir.
